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Porque Perdemos a Mobilidade com a Idade?
Muitas pessoas associam a perda de mobilidade ao envelhecimento e acreditam que é uma consequência inevitável da idade. Embora seja verdade que o corpo sofre alterações ao longo dos anos, a diminuição da mobilidade não depende apenas da idade cronológica. Em grande parte, resulta da forma como utilizamos o nosso corpo ao longo da vida.
Com o passar dos anos, tendemos a mover-nos menos. O trabalho sedentário, a redução da atividade física e alguns hábitos do dia a dia fazem com que determinadas articulações deixem de ser utilizadas em toda a sua amplitude. Quando uma articulação não é movimentada regularmente, os tecidos à sua volta tornam-se mais rígidos e menos adaptáveis.
Os músculos também sofrem alterações. A massa muscular diminui gradualmente com a idade, especialmente quando não existe prática regular de exercício físico. Esta perda de força pode comprometer o equilíbrio, a estabilidade e a capacidade de realizar movimentos que antes eram executados com facilidade.
Outro fator importante é a acumulação de pequenas compensações ao longo da vida. Uma entorse antiga, uma cirurgia, uma postura mantida durante anos ou mesmo episódios repetidos de dor podem levar o corpo a adaptar-se. Muitas vezes, essas adaptações passam despercebidas durante décadas, até começarem a limitar a mobilidade e a provocar desconforto.
É comum ouvir frases como "já não consigo virar o pescoço como antigamente" antes fazia isto sem pensar e agora custa-me tanto baixar para apanhar qualquer coisa do chão' Muitas destas pessoas não têm uma doença grave. Simplesmente deixaram de utilizar o corpo com a mesma variedade de movimentos ao longo dos anos."
Embora estas queixas sejam frequentes, não devem ser encaradas como normais apenas por causa da idade. Em muitos casos, existe margem para melhorar a mobilidade, a função e a qualidade de vida.
Uma avaliação cuidadosa é fundamental para perceber quais os fatores que estão a contribuir para essa limitação. Nem sempre o problema está na articulação que parece rígida. Por vezes, a origem encontra-se noutra região do corpo que está a alterar a mecânica do movimento.
A boa notícia é que o corpo mantém uma notável capacidade de adaptação ao longo de toda a vida. Exercício adequado, mobilização articular, fortalecimento muscular e uma abordagem terapêutica individualizada podem ajudar a recuperar movimento e confiança nas atividades do dia a dia.
Envelhecer não significa deixar de se mover. Significa, muitas vezes, dar ainda mais importância ao movimento para preservar a autonomia, a independência e a qualidade de vida.